O cinema brasileiro viveu uma noite histórica na 83ª edição do Globo de Ouro. “O Agente Secreto”, dirigido por Kléber Mendonça Filho, alcançou um feito inédito ao conquistar dois prêmios na mesma cerimônia, algo que nunca havia ocorrido com uma produção nacional. Assim, o filme entrou para um grupo seleto e ampliou o espaço do Brasil entre os grandes nomes do audiovisual mundial.
Primeiro, a produção venceu na categoria de melhor filme em língua não inglesa. Com isso, tornou-se apenas o terceiro longa brasileiro a receber essa estatueta, ao lado de Orfeu Negro (1960) e Central do Brasil (1999). Logo após o anúncio, Kléber Mendonça Filho subiu ao palco visivelmente emocionado e reforçou a importância do momento para a indústria cinematográfica.
“Estou honrado de estar nesse grupo de grandes diretores estrangeiros. Eu dedico este prêmio aos jovens diretores. Este é um momento muito importante para se fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Jovens americanos, façam filmes”, disse o cineasta ao receber o troféu.
Reconhecimento histórico para Wagner Moura
Na sequência, O Agente Secreto voltou ao centro das atenções com a vitória de Wagner Moura como melhor ator em filme de drama. Dessa forma, o ator ampliou o impacto da produção na premiação e consolidou um marco pessoal na carreira internacional.
“É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Eu acho que se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, afirmou Moura no discurso de agradecimento.
Logo depois, o ator se dirigiu diretamente ao público brasileiro e completou em português:
“E para todo mundo no Brasil que está assistindo isso agora, viva o Brasil e a cultura brasileira”.
O reconhecimento teve ainda mais peso porque Wagner Moura se tornou o primeiro ator brasileiro a concorrer ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator em filme de drama. Antes disso, em 2016, ele havia disputado o prêmio como melhor ator em série dramática por Narcos, mas acabou superado por Jon Hamm, de Mad Men.
Indicações, derrotas e outros brasileiros premiados
Além das vitórias, O Agente Secreto também apareceu entre os indicados a melhor filme de drama. No entanto, nessa disputa, o troféu ficou com Hamnet. Mesmo assim, o saldo da noite permaneceu altamente positivo para a equipe brasileira.
O feito de levar dois prêmios reforçou ainda mais o caráter histórico da produção, já que nenhuma obra nacional havia alcançado esse resultado em uma única edição do Globo de Ouro.
O Brasil seguiu presente na premiação com outros destaques recentes. Em 2025, Fernanda Torres venceu como melhor atriz de drama por Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. O longa também concorreu como melhor filme em língua não inglesa, porém perdeu a estatueta para Emilia Pérez.