A Polícia Civil apura um suposto esquema de fraude envolvendo a negociação de veículos em uma garagem de São José do Rio Preto. Até o momento, cerca de 30 pessoas já procuraram delegacias da cidade relatando prejuízos após deixar carros para venda no estabelecimento.
O responsável pela empresa, um empresário de 27 anos que também atua como pastor, passou a ser investigado depois que clientes perceberam que a loja, localizada na rua Bernardino de Campos, na Vila Maceno, havia fechado as portas repentinamente.
De acordo com os relatos feitos à polícia, a garagem oferecia aos proprietários a possibilidade de deixar os veículos em consignação para facilitar a venda. A proposta previa que, caso o carro não fosse negociado dentro de aproximadamente 30 dias, o próprio estabelecimento faria o pagamento ao dono.
Com o avanço das apurações, porém, surgiram indícios de que alguns veículos teriam sido vendidos a terceiros ou até utilizados para obtenção de financiamentos, sem que os valores fossem repassados aos proprietários.
Entre os registros feitos na polícia está o de um advogado de 37 anos que deixou um automóvel avaliado em cerca de R$ 98 mil no local após firmar contrato de consignação. Posteriormente, ele foi informado de que o veículo havia sido negociado e chegou a assinar documentos de transferência. Mais tarde, descobriu que o carro teria sido utilizado em um financiamento em nome de outra pessoa.
Uma educadora de 34 anos também relatou ter passado por situação semelhante. Segundo o boletim de ocorrência, ela havia anunciado o veículo nas redes sociais e acabou sendo procurada por funcionários da garagem, que sugeriram a consignação como forma de acelerar a venda. Depois do prazo combinado, o casal descobriu que o carro já havia sido negociado, mas o pagamento não foi efetuado.
Há ainda registros de proprietários que deixaram modelos como Honda Civic, Jeep Compass, Ford Fusion e Fiat Cronos para venda. Quando retornaram ao estabelecimento em busca de informações, não encontraram mais os veículos nem o responsável pela negociação.
Um policial militar de 38 anos também registrou ocorrência. Segundo o relato, ele deixou o carro na garagem após um acordo para que o empresário assumisse o pagamento da próxima parcela do financiamento. O valor não foi quitado e, posteriormente, o militar descobriu que o automóvel havia sido financiado sem autorização.
O veículo acabou sendo recuperado após ser devolvido por um colaborador da própria garagem, que estava com o carro e decidiu entregá-lo ao proprietário. Mesmo assim, segundo o registro policial, o automóvel ainda possui um gravame de aproximadamente R$ 80 mil relacionado ao financiamento realizado sem consentimento.
As denúncias começaram a surgir quando clientes passaram a procurar o local e perceberam que a garagem estava fechada e que não conseguiam mais contato com o responsável pelo negócio.
O caso foi registrado como estelionato e segue sob investigação do 3º Distrito Policial. A polícia orienta que possíveis vítimas que tenham deixado veículos no estabelecimento procurem a delegacia levando contratos, comprovantes, conversas de mensagens e outros documentos que possam auxiliar nas investigações.