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Imagem: Divulgação

Rinite alérgica avança e confunde sintomas com gripe e resfriado

Especialistas alertam para aumento dos casos, explicam diferenças entre doenças respiratórias e destacam tratamentos modernos para controlar o problema

Por Redação
01 de Maio de 2026 às 09:01

Espirros em sequência, nariz entupido, coriza e coceira no rosto fazem parte da rotina de milhões de brasileiros, mas nem sempre esses sinais indicam gripe ou resfriado. Em muitos casos, o diagnóstico é outro: rinite alérgica, uma condição inflamatória crônica que, apesar de comum, ainda gera dúvidas e leva a tratamentos inadequados.

A doença é provocada por uma reação exagerada do sistema imunológico a partículas inaladas, como poeira, ácaros, pelos de animais e pólen. Diferentemente das infecções virais, a rinite não é contagiosa e tende a acompanhar o paciente por longos períodos, com fases de melhora e piora ao longo do ano.

O otorrinolaringologista Maury de Oliveira Faria Jr., da clínica Otorrino Rio Preto, afirma que, na rinite, o organismo reage a substâncias que não representam risco real, mas são interpretadas como uma ameaça, desencadeando um processo inflamatório contínuo nas vias nasais. 

Os sintomas mais comuns incluem espirros em sequência, coceira no nariz, nos olhos e na garganta, além de coriza clara e sensação de obstrução nasal. Já nos quadros de resfriado, os sinais tendem a ser mais leves e passageiros, enquanto a gripe costuma provocar febre alta, dores no corpo e cansaço intenso, além dos sintomas respiratórios.

A confusão entre os diagnósticos é frequente, principalmente nesta época do ano. Isso porque o outono reúne uma série de fatores que favorecem o agravamento da rinite alérgica. O clima mais seco, a menor ventilação dos ambientes e o aumento do contato com poeira e ácaros, comuns em cobertores e roupas guardadas, criam um cenário propício para o surgimento ou intensificação das crises.

O otorrinolaringologista Rubens Huber afirma que, o outono, é um período em que as pessoas passam mais tempo em ambientes fechados, o que aumenta a exposição aos agentes alérgenos. “Isso explica por que muitos pacientes relatam piora dos sintomas nessa época”, afirma, especialista em doenças das vias aéreas superiores.

Apesar de muitas vezes subestimada, a rinite alérgica pode impactar diretamente a qualidade de vida. Alterações no sono, dificuldade de concentração e queda no rendimento diário são queixas comuns, especialmente entre crianças e pessoas com histórico familiar de alergias ou doenças respiratórias, como a asma.

O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e no histórico do paciente, podendo ser complementado por exames específicos em alguns casos. Embora não exista cura definitiva, os avanços no tratamento permitem um controle eficaz dos sintomas e das crises.

Entre as opções disponíveis estão o uso de antialérgicos, corticoides nasais e a lavagem nasal com solução salina, além da imunoterapia, conhecida como vacina para alergia, indicada para casos selecionados. “Hoje conseguimos controlar muito bem a doença, desde que o paciente tenha acompanhamento adequado e siga corretamente as orientações médicas”, destaca Rubens Huber.

Maury de Oliveira Faria Jr também faz um alerta importante: a automedicação, especialmente com descongestionantes nasais, pode trazer riscos quando utilizada de forma prolongada. “Além disso, ignorar sintomas persistentes pode levar a complicações, como sinusite e agravamento de outras doenças respiratórias.”

Medidas simples no dia a dia ajudam a prevenir crises, como manter os ambientes limpos e ventilados, higienizar roupas de cama com frequência e evitar o acúmulo de poeira. O uso de capas antiácaros em colchões e travesseiros também pode ser um aliado importante no controle da doença.

Para os médicos, informação e acompanhamento médico são fundamentais. “A rinite não tem cura, mas tem controle. E o primeiro passo é entender os sinais do corpo e buscar orientação com um especialista”, conclui Rubens Huber.

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