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Homem tenta provar que está vivo no interior de SP após erro em sistema do governo
Após a morte da mãe de Carlos Antônio da Silva em um incêndio em Bocaiúva (MG), em 2012, os dados dele foram vinculados aos dela por engano e o transtorno começou.
Por Reportagem tv tem
22 de Junho de 2026 às 09:09
O pastor Carlos Antônio da Silva, de 54 anos, vive em Mirassol e há mais de uma década tenta provar que está vivo. Um erro nos sistemas do governo o declarou morto e, desde então, ele perdeu direitos básicos, como acesso à saúde e possibilidade de trabalhar com carteira assinada.
O problema começou em 2012, após a morte da mãe de Carlos em um incêndio criminoso em Bocaiúva (MG). Por engano, os dados dele foram vinculados aos da mãe, e desde então passou a constar como falecido nos sistemas do governo.
"Quando eu cheguei de Minas para Mirassol, eu trouxe uma receita. E essa receita eu tinha que pegar na farmácia popular o remédio. Aí eu não consegui. Eu fui em cinco farmácias, constava óbito. Aí eu fui fazer uma nova consulta no posto regional da cidade, também tava constando óbito", relembra.
Mesmo com decisões judiciais reconhecendo que está vivo, Carlos ainda enfrenta dificuldades. "Chegou um momento da minha vida em que eu tive que comer fubá. Não tinha nada. Não tinha o que comer. Desempregado, levei documento em várias empresas, não fichava porque meu nome estava em óbito. É muito humilhante", afirma.
Carlos superou a depressão, mas enfrenta problemas cardíacos e depende de remédios controlados. Ele só consegue acesso à medicação após entrar com ação judicial contra a prefeitura.
"Não é uma coisa normal do dia a dia. A gente entrou com ação, tentou de tudo para conseguir reparar os danos que aconteceram com ele. O INSS alega que a culpa é do cartório de registro de pessoas. No entanto, existe provas nos autos de que a culpa é de fato do INSS que acabou imputando essa anotação equivocada no sistema", diz o advogado Augusto Stuchi.
Segundo o advogado, a Justiça Federal já reconheceu o erro no banco de dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mesmo assim, Carlos ainda aparece como morto em alguns sistemas do governo.
"Pelo que consta hoje em dia, ainda consta uma anotação equivocada na Caixa Econômica Federal, por causa do compartilhamento de dados entre os entes públicos. Por tal motivo, ele está impossibilitado de adquirir financiamento perante a Caixa Econômica, cartão de crédito, enfim. Hoje ainda permanece esse resquício", relata Stuchi.
Ajuda de amigos
Sem conseguir emprego formal, Carlos abriu uma igreja na garagem de casa. Ele é casado e tem três filhos, um deles com autismo. A família sobrevive com ajuda de amigos. E a esposa, Inácia Maria Ferreira, se emociona ao falar da situação.
"O farmacêutico falou que não ia vender o remédio para ele e não ia entregar também porque o nome dele estava morto. Aí ele ainda brincou comigo, ele falou assim: 'Como é que você consegue viver com um homem que já morreu?'. Eu falei assim: 'Não, ele tá vivo, ele não tá morto não, ele tá vivo. Graças a Deus, ele tá vivo'. Mas consta óbito. Eu falei: 'Eu sei, mas ele tá vivo'. Né? Eu deito, acordo, durmo com ele, ele tá vivo sim".
Sem previsão de solução definitiva, Carlos pede indenização de R$ 20 mil por danos morais e espera poder viver com dignidade.
"Estou sofrendo. 14 anos desempregado, né? É humilhação, né? É humilhação que a União está fazendo comigo. E o que vai restar para mim nesses 14 anos perdidos?"
Em nota à TV TEM, o INSS informou que não há registro de óbito no cadastro do órgão e que eventuais correções devem ser feitas nos sistemas onde o erro aparece. A Caixa Econômica Federal não respondeu.
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