Banco fecha agências de Potirendaba e Bady Bassitt (SP)
Banco vai fechar nas cidades de Potirendaba e Bady Bassitt (SP)
Por Luiz Aranha - Gazeta
29 de Janeiro de 2026 às 09:45
Agências do Banco Santander nas cidades de Potirendaba e Bady Bassitt (SP) serão fechadas dentro dos próximos dias e o anúncio tem causado preocupação e indignação entre moradores, especialmente aposentados e pensionistas. A decisão impacta diretamente a população que depende do atendimento presencial para realizar operações básicas, como saques, pagamentos e esclarecimento de dúvidas.
Segundo apuração da Reportagem, a agência de Potirendaba funcionará somente até o dia 20 de fevereiro de 2026. Comunicados foram afixados nas portas internas da unidade informando sobre o encerramento definitivo das atividades. O material orienta os clientes a utilizarem os canais digitais do banco — como aplicativo, chat 24 horas, consulta de saldo, extrato e pagamentos — e informa que, para atendimento presencial, será necessário procurar a agência de Urupês (SP), localizada a cerca de 30 quilômetros do município.
A orientação, no entanto, ignora a realidade de grande parte dos clientes da cidade, formada por idosos que não dominam o uso de cartões, aplicativos ou caixas eletrônicos. É o caso da aposentada Maria Helena de Araújo, de 73 anos, moradora de Potirendaba.
“Todos os meses venho sacar minha aposentadoria e tenho o hábito de pagar tudo em dinheiro. Não sei como vou fazer agora”, relata. Como ela, muitos moradores dependem de ajuda de terceiros para acessar serviços bancários digitais.
Até então, a agência mais próxima de Potirendaba era a de Bady Bassitt, a cerca de 18 quilômetros. Porém, essa alternativa também deixará de existir. O Santander confirmou que a unidade localizada na Praça Rio Preto, em Bady Bassitt, será encerrada já na próxima sexta-feira, 30 de janeiro de 2026. Com isso, os moradores terão que se deslocar até Cedral, a aproximadamente 20 quilômetros, ou para cidades ainda mais distantes, como São José do Rio Preto.
O fechamento deixa Bady Bassitt com apenas uma agência bancária fixa, a do Banco do Brasil, o que deve provocar aumento de filas, sobrecarga no atendimento e dificuldades para a população local.
Em Potirendaba, o impacto, além disso, também marca uma geração. O prédio do banco está instalado na rua Capitão José Oliva há cerca mais de 30 anos, antes mesmo o grupo Santander adquiriu o antigo Banespa (Banco do Estado de São Paulo). Atualmente, o município conta com agências da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Bradesco, mas a saída do Santander representa mais uma perda de serviços presenciais na cidade.
Procurado pela Gazeta, o Santander informou, por meio de nota, que o encerramento das atividades da agência de Potirendaba faz parte de um processo de reestruturação da rede de atendimento, justificado pela mudança no comportamento dos clientes, que estariam realizando a maior parte das operações de forma remota. O banco afirma que os clientes poderão continuar utilizando os serviços por meio do aplicativo, internet banking, telefone e chat, além de contar com atendimento presencial em Urupês e em São José do Rio Preto. Também destacou que clientes Select têm gerentes dedicados e que clientes Empresas recebem atendimento especializado, além da possibilidade de saques e depósitos em terminais da rede Banco24Horas.
A explicação, no entanto, contrasta com os resultados financeiros da instituição. O Santander apresentou lucro líquido gerencial acumulado de R$ 11,529 bilhões apenas nos nove primeiros meses de 2025, o que reforça as críticas de que o fechamento de agências prioriza a redução de custos e o aumento da rentabilidade, em detrimento do atendimento à população, especialmente nos pequenos municípios.
O Sindicato dos Bancários de Rio Preto e região manifestou preocupação com a medida e afirmou que o fechamento de agências bancárias tem gerado impactos negativos para a sociedade, principalmente para idosos e pessoas com menor familiaridade com o ambiente digital. Segundo a entidade, a redução de unidades físicas provoca sobrecarga nas agências remanescentes, aumenta filas, compromete a qualidade do atendimento e gera insegurança para quem é obrigado a utilizar serviços online.
Além disso, os bancários também sofrem com a pressão adicional, acumulando tarefas e responsabilidades, enquanto os bancos seguem priorizando o lucro em detrimento das condições de trabalho e do atendimento humanizado. O sindicato informou que acompanha de perto essa onda de fechamentos, discorda dessa realidade e manifesta indignação, defendendo um sistema financeiro mais acessível, inclusivo e com condições dignas para trabalhadores e clientes.
O cenário local reflete uma tendência mais ampla. Ao longo dos últimos dez anos, houve uma expressiva redução no número de agências bancárias. Em São José do Rio Preto, por exemplo, o número de unidades caiu de 86 em 2015 para 38 em 2025, o que representa o fechamento de aproximadamente 48 agências em uma década. Para entidades e moradores, os números evidenciam um processo de enxugamento que avança rapidamente e deixa parte da população à margem do sistema bancário.
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