Mais de R$ 55 milhões em investimentos, novos caminhões-pipa, equipamentos de combate a incêndios e a mobilização de representantes de 96 municípios marcaram o início da Operação SP Sem Fogo 2026, na manhã desta segunda-feira, 1º, em Rio Preto. A ação reúne agentes de Defesa Civil, brigadistas e profissionais das forças de segurança em um treinamento voltado à prevenção e ao enfrentamento dos incêndios florestais que costumam se intensificar durante o período de estiagem.
A abertura das Oficinas Preparatórias da Operação SP Sem Fogo foi realizada no Teatro Paulo Moura e serviu também para apresentar o balanço dos investimentos realizados pela Defesa Civil do Estado na região entre 2023 e 2026. Ao todo, foram destinados R$ 55,4 milhões para obras de prevenção, recuperação de áreas atingidas por desastres, aquisição de equipamentos, veículos e ações de apoio humanitário.
Chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil, o coronel Rinaldo de Araújo Monteiro destacou que a iniciativa busca fortalecer a capacidade de resposta dos municípios diante de um cenário climático cada vez mais desafiador.
“Trouxemos para a região o treinamento do SP Sem Fogo. Serão dois dias de atividades intensas, com partes teóricas e práticas e, ao final, a entrega de kits de proteção e defesa civil. Também serão disponibilizados equipamentos para o combate aos incêndios florestais, como bombas costais utilizadas nos pequenos focos. A ideia é treinar, capacitar e aumentar a capacidade operativa do Sistema Estadual de Defesa Civil por meio das defesas civis municipais”, afirmou.
Durante o evento, a Defesa Civil apresentou um balanço dos investimentos realizados na região. Do total de R$ 55,4 milhões aplicados, R$ 34 milhões foram destinados a obras de prevenção e recuperação de áreas afetadas por desastres naturais. Atualmente, 11 convênios seguem em andamento, somando R$ 8,1 milhões, enquanto outras 40 obras já foram concluídas, com investimentos superiores a R$ 25,8 milhões.
Outros R$ 20,5 milhões foram destinados ao aparelhamento das Coordenadorias Municipais de Defesa Civil. A região recebeu 187 equipamentos e 94 veículos, incluindo 14 caminhões-pipa, considerados fundamentais para o enfrentamento dos incêndios em vegetação durante os meses mais secos do ano.
Segundo Araújo Monteiro, a ampliação da estrutura é uma resposta às dificuldades enfrentadas em 2024, considerado um dos anos mais críticos para os incêndios florestais em São Paulo.
“Tivemos um ano histórico em incêndios florestais em todas as regiões do Estado. Nossos meteorologistas apontam a influência do El Niño no hemisfério sul, com possibilidade de temperaturas de inverno mais elevadas e períodos de estiagem que favorecem a ocorrência de queimadas. Por isso existe a necessidade de capacitar, treinar e instrumentalizar todo o sistema estadual de Defesa Civil”, explicou.
O coordenador estadual também destacou a ampliação da frota de caminhões-pipa destinada aos municípios paulistas.
“A partir do ano passado passamos a incluir os caminhões-pipa no portfólio de equipamentos. É um investimento elevado, mas essencial. Até agosto vamos entregar 120 unidades para municípios de todo o Estado”, afirmou.
A capacitação integra oficialmente a Operação SP Sem Fogo, que teve início nesta segunda-feira e seguirá até outubro. De acordo com o comandante do 13º Grupamento de Bombeiros, tenente-coronel Orival Santana Júnior, o período concentra as condições mais favoráveis para a propagação dos incêndios.
“Temos altas temperaturas, ventos intensificados, baixa umidade do ar e longos períodos sem chuva. Esses fatores, aliados à ação humana, acabam provocando os incêndios florestais. Nossa área de atuação é muito extensa, com 96 municípios e 15 quartéis. Por isso é fundamental essa união com os municípios para a formação e capacitação dos brigadistas, garantindo uma resposta rápida às ocorrências”, disse.
Durante os dois dias de treinamento, os participantes terão aulas sobre crimes ambientais, fiscalização e proteção ambiental, assistência técnica rural, previsão meteorológica para o período de estiagem, manejo de animais silvestres atingidos pelas queimadas e operacionalização dos planos municipais de contingência.
Na parte prática, serão abordadas técnicas de combate direto ao fogo com abafadores, combate indireto por meio da abertura de aceiros, utilização correta de equipamentos de proteção individual e emprego dos materiais básicos utilizados em incêndios florestais.
Além dos prejuízos ambientais, os especialistas alertam para os impactos das queimadas na saúde pública. A fumaça contribui para o aumento de doenças respiratórias, dermatológicas e oftalmológicas, afetando principalmente crianças e idosos.
O tenente-coronel Orival também reforçou orientações à população para reduzir os riscos durante o período de estiagem.
“Motoristas não devem jogar bitucas de cigarro nas margens das rodovias. Soltar balões e bombas é crime, assim como provocar queimadas em matas e florestas. Quem identificar a preparação para soltura de balões deve acionar a Polícia Militar pelo 190. Também orientamos que não sejam feitas fogueiras em acampamentos ou para limpeza de terrenos, porque os ventos fortes podem transformar um pequeno foco em um incêndio de grandes proporções”, alertou.
Segundo o comandante, além da destruição da vegetação, os incêndios causam severos impactos à fauna silvestre. Muitos animais acabam queimados ou mortos, enquanto ninhos e filhotes são destruídos pelas chamas, comprometendo o equilíbrio ambiental das áreas atingidas.