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Notícias→DIRETO DA REDAÇÃO→Mirassol entra para a história e inicia vacinação contra a chikungunya
Imagem: Johnny Torres/Famerp Divulgação

Mirassol entra para a história e inicia vacinação contra a chikungunya

Momento histórico para a saúde pública brasileira

Por Redação
03 de Fevereiro de 2026 às 09:17

Mirassol viveu, nesta segunda-feira (02/02/2026), um momento histórico para a saúde pública brasileira ao se tornar o primeiro município do país a iniciar a vacinação contra a chikungunya. A largada da imunização, no entanto, vai muito além do ato simbólico da aplicação da primeira dose: ela é resultado direto de um longo e rigoroso processo de pesquisa científica liderado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), em parceria com a Fundação Faculdade Regional de Medicina (Funfarme).

A Famerp foi a única instituição de ensino superior participante dos estudos clínicos realizados no Brasil e esteve envolvida em todas as etapas da pesquisa, desde as fases iniciais até os ensaios clínicos mais avançados. O trabalho foi decisivo para a comprovação da segurança e da eficácia do imunizante, consolidando a região como um polo estratégico de ciência, inovação e pesquisa em saúde.

Mais do que um avanço no combate à chikungunya, o início da vacinação evidencia o impacto direto da pesquisa científica na vida da população. Um exemplo emblemático é o da enfermeira Maria do Rozário Drigo Fernandes, que atua no Centro de Saúde II (Postão), em Mirassol. Acostumada a vacinar diariamente dezenas de pessoas, ela se emocionou ao se tornar a primeira brasileira a receber a dose do imunizante contra a doença.

O início da campanha foi acompanhado por diversas autoridades da área da saúde, entre elas o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, Dr. Eleuses Paiva; a médica infectologista Profª Drª Cassia Estofolete, pesquisadora da Famerp e uma das coordenadoras do estudo; o diretor de Matéria Médica do Instituto Butantan, Dr. José Moreira; o diretor-executivo da Funfarme, Prof. Dr. Horácio Ramalho; além do diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS-XV), Dr. André Luciano Baitello, e autoridades municipais.

Para o secretário estadual da Saúde, o protagonismo da Famerp reforça a relevância da instituição no cenário nacional. “A Famerp é um polo de ciência extremamente importante, não só para a região noroeste, mas hoje é um motivo de orgulho para o nosso país”, afirmou Eleuses Paiva.

Segundo o secretário, a participação da faculdade foi fundamental, especialmente nos estudos de fase três realizados no Brasil. “A Famerp foi extremamente importante para a gente poder avançar, principalmente nos estudos de fase três. Foi um desses polos onde tratávamos tanto populações mais jovens quanto pessoas dessa faixa etária, para avaliar qual seria a resposta imunológica”, explicou.

Os resultados obtidos no país foram equivalentes aos observados em pesquisas conduzidas na Europa. “Aqui no Brasil, a resposta foi muito similar: 98,7% dos voluntários apresentaram produção de anticorpos neutralizantes”, completou Paiva.

O imunizante contra a chikungunya foi desenvolvido pela farmacêutica Valneva, em parceria com o Instituto Butantan, e recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. A aplicação inicial ocorre de forma estratégica em municípios considerados de maior risco epidemiológico. Ao todo, dez cidades de quatro estados brasileiros foram selecionadas para esta primeira etapa, com Mirassol abrindo oficialmente a campanha nacional.

O município recebeu um primeiro lote com 2.400 doses e a expectativa é imunizar cerca de 37.500 pessoas. Desde esta segunda-feira, moradores com idade entre 18 e 59 anos podem receber a vacina gratuitamente nas unidades de saúde da cidade.

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e da Zika, a chikungunya tem apresentado crescimento expressivo no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que, somente em 2024, foram registrados 263.502 casos e 246 óbitos no Brasil. A doença pode causar febre alta, dores intensas nas articulações, dores musculares e, em alguns casos, complicações neurológicas. Como não há tratamento antiviral específico, a vacinação é considerada a principal estratégia de prevenção.

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