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Imagem: Divulgação HB
No Dia Mundial da Obesidade, especialistas afirmam que canetas emagrecedoras não devem substituir cirurgia bariátrica no curto e médio prazo
Apesar do avanço dos medicamentos injetáveis, médicos do Hospital de Base de Rio Preto destacam que cirurgia segue como tratamento mais eficaz a longo prazo
Por Redação
04 de Março de 2026 às 09:28
No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, especialistas do Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP) reforçam que, apesar dos avanços das chamadas “canetas emagrecedoras”, os medicamentos não devem substituir a cirurgia bariátrica no curto e médio prazo.
Avanço importante no combate à obesidade, os medicamentos injetáveis têm ajudado muitos pacientes, principalmente aqueles com comorbidades associadas. Ainda assim, segundo os médicos da instituição, a cirurgia continua sendo a estratégia mais eficaz para controle sustentado da doença.
Obesidade: doença crônica e complexa
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e de difícil controle. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 60% da população brasileira está acima do peso e quase 30% vive com obesidade.
Para o cirurgião bariátrico Prof. Dr. Gilberto Brito, chefe fundador do Serviço de Cirurgias Bariátricas e Metabólicas do hospital, o maior desafio não é apenas emagrecer, mas manter o peso perdido ao longo dos anos.
“Pelo menos nos próximos dez anos, infelizmente não vejo as canetas emagrecedoras acabando com as cirurgias bariátricas. A obesidade é uma doença complexa, produzida pela interação de diferentes fatores, muitos deles genéticos e ambientais. Por isso, é considerada uma doença crônica. Vencê-la não é perder peso, mas manter esse peso perdido a longo prazo”, afirma.
Cirurgia segue como referência no longo prazo
Embora não exista cura definitiva para a obesidade, o controle adequado depende de tratamento prolongado. Nesse cenário, a cirurgia bariátrica permanece como uma das estratégias mais eficazes. Segundo o especialista, entre 60% e 70% dos pacientes operados conseguem manter resultados sustentáveis por mais de cinco anos.
Autorizado pelo Ministério da Saúde em 2001, o Hospital de Base de São José do Rio Preto é apontado como o serviço que mais realiza cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no país. Nos últimos três anos, foram 1.364 procedimentos. Somente em 2024, foram realizadas 478 cirurgias; em 2025, 622 — todas por videolaparoscopia e, mais recentemente, também com técnica robótica.
O tempo médio de espera na fila caiu de cinco anos para aproximadamente um ano. A taxa de mortalidade gira em torno de 0,1%, considerada baixa para um procedimento de grande porte. “O risco maior é o da obesidade mórbida não tratada”, destaca o médico.
Uso das canetas exige cautela
O uso dos medicamentos injetáveis ganhou força no Brasil após a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da tirzepatida — princípio ativo do medicamento Mounjaro — para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
Comercializada em dispositivo de caneta preenchida, a tirzepatida tem venda permitida apenas em farmácias, mediante apresentação de receita médica em duas vias, conforme exigência da Anvisa.
Segundo o endocrinologista Dr. Antonio Carlos Pires, chefe do Serviço de Endocrinologia do hospital, o avanço é significativo, mas requer responsabilidade.
“A procedência do medicamento é fundamental. Produtos fabricados fora dos padrões corretos podem apresentar contaminação por vírus, fungos ou bactérias. Além disso, o uso deve sempre ocorrer com prescrição e acompanhamento médico”, alerta.
Para o Prof. Dr. Gilberto, as canetas representam esperança, mas ainda precisam passar pela “prova do tempo” em três aspectos: segurança clínica a longo prazo, manutenção da eficácia ao longo dos anos e viabilidade financeira para a população.
“Como aconteceu com outras doenças, o tratamento clínico pode, no futuro, substituir o cirúrgico. Mas ainda estamos longe disso”, afirma.
Demanda crescente
No Ambulatório Geral de Especialidades do Hospital de Base de São José do Rio Preto, houve aumento de 19% no número de atendimentos a pessoas com obesidade, considerando consultas ambulatoriais, internações e urgências. O total passou de 9.385, em 2024, para 11.166 no ano passado, reforçando a dimensão do problema e a necessidade de estratégias múltiplas e contínuas no enfrentamento da doença.
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