Vigilância investiga como rio-pretense contraiu a Febre do Nilo
Jovem de 18 anos está internada com melhora; município amplia investigação após primeiro caso humano confirmado no Estado
Por Camila Furlanetto – DHoje Interior
26 de Agosto de 2026 às 09:14
São José do Rio Preto entrou no mapa da Febre do Nilo Ocidental com a confirmação do primeiro caso humano da doença no município e um dos dois primeiros registrados no Estado de São Paulo. A paciente é uma mulher de 18 anos, com comorbidades, que permanece internada e apresenta evolução clínica com melhora. O caso acendeu o alerta das autoridades de saúde, que ampliaram a investigação para verificar se há circulação do vírus na cidade.
Em nota, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os primeiros sintomas começaram em 29 de julho, com febre, vômitos, mal-estar, cefaleia, mialgia e dor retro orbitária. Inicialmente, o quadro apresentava características semelhantes às de outras arboviroses, como a dengue. A paciente foi internada em 8 de agosto, após agravamento e surgimento de manifestações neurológicas.
O diagnóstico foi confirmado pelo Instituto Adolfo Lutz, após exames realizados dentro da rotina de investigação de arboviroses. A paciente não viajou recentemente para outras áreas com registro da doença e permaneceu no município. Por isso, o local provável de infecção ainda é investigado pela Vigilância em Saúde.
A situação ganha relevância porque o caso de Rio Preto é diferente do registrado em Ribeirão Preto, também confirmado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) nesta segunda-feira (24). A paciente de 34 anos de Ribeirão tinha histórico recente de viagem à região amazônica e evoluiu para cura.
Hospital já estava em alerta para casos neurológicos
A confirmação em Rio Preto foi possível dentro de uma estrutura de vigilância que já acompanhava manifestações neurológicas associadas a arboviroses. Segundo Maria Lúcia Salomão, chefe do Núcleo de Vigilância Hospitalar (NHE) da Funfarme, o complexo hospitalar atua como serviço sentinela do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde para casos de doenças neuro invasivas provocadas por arbovírus.
“Somos um serviço sentinela para neuro invasiva de arbovírus. Nessa tarefa, essa paciente apresentou inicialmente uma suspeita de dengue, que se encaixa nas arboviroses. Fizemos toda a investigação, tanto laboratorial aqui em Rio Preto como um caso de rotina nosso de dengue, e esse material foi encaminhado para São Paulo, pelo laboratório Lutz. Lá eles identificaram esse vírus do Nilo Ocidental”, explicou.
De acordo com a médica, a condição de serviço sentinela exige uma investigação extensa diante de quadros suspeitos. São avaliadas diferentes possibilidades e realizados exames neurológicos para confirmar ou descartar a presença de arbovírus associados a manifestações do sistema nervoso.
A identificação do vírus, portanto, não significa uma mudança na rotina de atendimento hospitalar, mas reforça a necessidade de manter o nível de vigilância. “Não mudaríamos. É uma investigação extensa, com vários itens, várias perguntas, que praticamente esgota as informações que precisamos”, afirmou.
Mosquito comum exige atenção
A Febre do Nilo Ocidental é transmitida principalmente pela picada do Culex, mosquito conhecido popularmente como pernilongo. O inseto pode se infectar ao picar aves silvestres contaminadas e transmitir o vírus posteriormente.
Para Maria Lúcia, o fato de o transmissor ser um mosquito comum reforça a importância das medidas já adotadas no combate à dengue e a outras arboviroses.
“Os cuidados são gerais para a gente evitar tanto ser picado pelo Aedes como sendo picado pelo Culex”, disse.
A médica destaca que eliminar criadouros, evitar o acúmulo de lixo e de materiais que possam acumular água e utilizar repelente são medidas que continuam fundamentais.
Município amplia investigação
Após a confirmação, a Secretaria Municipal de Saúde iniciou ações para verificar a possível circulação do vírus em Rio Preto. Em parceria com a Famerp, já foram realizadas coletas de mosquitos em diferentes regiões da cidade. Até o momento, as amostras analisadas apresentaram resultado negativo para o vírus do Nilo Ocidental.
As equipes também fazem captura e análise de mosquitos, investigação de possíveis criadouros e monitoramento das condições ambientais favoráveis à proliferação do Culex.
Outra frente será a ampliação da investigação de pessoas com sintomas leves semelhantes aos da dengue, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e o laboratório de virologia da Famerp. A estratégia busca identificar eventual circulação do vírus mesmo em casos que não apresentem manifestações neurológicas.
Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde informa que não há outros casos suspeitos identificados no município.
Para Maria Lúcia, a população tem papel fundamental nesse monitoramento. Ela orienta que pessoas com febre, mal-estar ou outros sintomas procurem atendimento médico, principalmente diante de piora do quadro.
“Às vezes nós ficamos sabendo que tem vários casos de dengue e a pessoa fala: ‘Estou com mal-estar, com febre’ e vai se cuidando em casa. Isso é possível porque a maior parte dos casos é leve, mas pode ter uma evolução desfavorável e precisar de uma avaliação médica”, alertou.
A médica também avalia que Rio Preto possui estrutura para acompanhar os pacientes e identificar rapidamente possíveis agravamentos. “O município de Rio Preto tem condição de acolher e atender direitinho esses casos logo no início”, afirmou.
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