Cirurgias oftalmológicas pelo SUS crescem 36% em 12 meses na região
Número de procedimentos oftalmológicos pelo SUS aumentou 36% em 12 meses; DRS estima cerca de mil pacientes aguardando cirurgias e prevê redução da espera com reforço no financiamento
Por Camila Furlanetto – DHoje Interior
01 de Setembro de 2026 às 09:38
A fila por cirurgias oftalmológicas pode ficar próxima de zero em algumas áreas da região de Rio Preto caso o ritmo de atendimento seja mantido nos próximos meses. A avaliação é do diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Rio Preto, André Baitello, diante do crescimento de 36% no número de procedimentos realizados pelo SUS nos últimos 12 meses.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), a região passou de 1.488 para 2.024 cirurgias oftalmológicas no período. O avanço ocorre após a implantação da Tabela SUS Paulista, programa que complementa os valores pagos pela tabela federal e tem ampliado a capacidade de atendimento de hospitais filantrópicos e municipais.
De acordo com Baitello, não existe uma única fila de espera para os procedimentos, já que a demanda é dividida entre municípios, Estado e os próprios hospitais.
“Não existe uma fila única. Existe a fila do município, a fila do Estado e filas que ficam dentro dos hospitais. Mas a gente tem uma estimativa em torno de mil pacientes que aguardam atualmente por cirurgias oftalmológicas na região”, explica.
Apesar da demanda ainda existente, o diretor avalia que o cenário é de redução gradual do tempo de espera. Para ele, a oftalmologia está entre as especialidades que podem apresentar uma das menores filas da rede pública regional.
“Se a gente continuar assim nos próximos meses, eu acredito que não vamos ter mais fila em algumas áreas. O paciente vai marcar e imediatamente, quase, vai ser feita a cirurgia”, afirma.
Catarata, glaucoma e estrabismo
O crescimento da produção não está concentrado em apenas um tipo de procedimento. Segundo o DRS, cirurgias para correção de estrabismo, catarata e glaucoma estão entre as que apresentaram maior impacto na redução das filas.
A ampliação da oferta também ocorre de forma descentralizada. Além dos grandes hospitais de Rio Preto, unidades de municípios menores passaram a aumentar a produção, permitindo que pacientes sejam atendidos fora dos grandes centros.
“Na nossa região nós temos vários prestadores na área de oftalmologia. Cardoso, Palmeira d’Oeste e outros pequenos municípios são bons prestadores. Isso incentivou eles também a aumentar o número de procedimentos”, diz Baitello.
Entre os hospitais citados pelo diretor estão o Hospital de Base (HB), o Hospital Padre Albino, a Santa Casa de Iporanga e o Hospital Municipal de São José do Rio Preto. A entrada dos hospitais municipais na Tabela SUS Paulista também ampliou a capacidade regional nos últimos meses.
“A oferta cresceu tanto nos grandes hospitais quanto em unidades de municípios menores. Com o incentivo da Tabela SUS Paulista, essas instituições ampliaram o número de cirurgias e passaram a atender pacientes de outras cidades, o que também fortalece a estrutura de saúde desses municípios”, afirma Baitello.
Mais recursos para os hospitais
Criada pelo Governo do Estado de São Paulo, a Tabela SUS Paulista complementa os valores pagos pelo SUS federal e, em determinados procedimentos, pode chegar a cinco vezes o valor da tabela nacional. O programa começou a ser implantado em janeiro de 2024 e inicialmente teve foco nos hospitais filantrópicos. Mais recentemente, passou a contemplar também hospitais municipais.
Para Baitello, o aumento dos repasses tem efeito direto não apenas na quantidade de procedimentos, mas na estrutura dos hospitais. Segundo ele, as instituições passaram a ter maior capacidade para investir em equipes, equipamentos e qualificação.
“É um recurso novo de financiamento para os hospitais de maneira geral, principalmente os filantrópicos e os hospitais municipais, e isso vem fazendo uma repercussão muito grande”, afirma.
Na avaliação do diretor, o programa representa uma mudança na capacidade de gestão e investimento das instituições que integram a rede pública. Ele cita especialmente as Santas Casas, que enfrentaram períodos de dificuldades financeiras e agora passam por um processo de recuperação.
“A gente vê agora os hospitais numa nova fase, de capacidade própria de investimento, de qualificação das equipes, garantindo que esses municípios, que têm na maioria Santas Casas, entrem numa nova fase de ressurgimento. Esse recurso do SUS Paulista está dando uma nova cara para os hospitais da nossa região”, avalia.
Desde a implantação, segundo o Governo do Estado, cerca de R$ 11 bilhões foram repassados às instituições beneficiadas em São Paulo. Na região de Rio Preto, 52 instituições recebem recursos do programa, que, de acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde, já destinou R$ 1,1 bilhão para a assistência em saúde.
Monitoramento das filas
A redução da espera, no entanto, exige acompanhamento constante. O DRS realiza revisões mensais das filas para ajustar a oferta de procedimentos de acordo com a demanda apresentada pelas sete regiões de saúde que integram sua área de abrangência.
Baitello explica que o planejamento envolve uma espécie de equilíbrio entre a demanda dos pacientes e a capacidade disponível nos hospitais. Quando uma nova necessidade aparece, a oferta pode ser ampliada. Da mesma forma, quando determinada fila diminui, os serviços podem ser redistribuídos conforme a demanda.
“Nós acompanhamos todos os meses, fazemos uma revisão das filas e vamos adequando a oferta de serviços de acordo com a necessidade. À medida que aparece uma demanda nova, a gente amplia o serviço”, explica.
O objetivo, segundo o diretor, é manter a capacidade de atendimento alinhada às necessidades da população e evitar que a redução de uma fila provoque o surgimento de outra.
A expectativa é que a combinação entre maior financiamento, ampliação da capacidade dos hospitais e monitoramento permanente permita manter o avanço das cirurgias eletivas. Na oftalmologia, o cenário já aponta para uma mudança significativa, de uma demanda reprimida que ainda reúne cerca de mil pacientes para a possibilidade de, em algumas áreas, o tempo de espera se tornar mínimo nos próximos meses.
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