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Imagem: Reprodução
DDM de Monte Aprazível passa a funcionar 24h e dá suporte a cinco regiões
Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Monte Aprazível passou a funcionar 24 horas na última terça-feira (8)
Por Beatriz Silva - DHoje Interior
10 de Setembro de 2026 às 09:10
A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Monte Aprazível passou a funcionar 24 horas na última terça-feira (8), ampliando o atendimento especializado às mulheres vítimas de violência na região. A mudança garante uma estrutura especializada disponível também durante a noite, fins de semana e feriados.
A cerimônia contou com a presença do diretor do Deinter-5, José Luiz Ramos Cavalcanti, além de representantes da Polícia Militar, entre eles o coronel Paulo Henrique Beltrami, do CPI-5, e os comandantes do 52º BPM/I, major Rafael Helena, capitão Gustavo Postigo e sargento Carlos Brandt.
Segundo Cavalcanti, a nova estrutura foi planejada para tornar o atendimento mais rápido e especializado, além de integrar a DDM de Monte Aprazível a outras unidades da Polícia Civil da região.
Antes, casos eram encaminhados para Mirassol
Antes do funcionamento 24 horas, ocorrências de violência contra a mulher registradas fora do horário da DDM precisavam ser encaminhadas para atendimento em Mirassol. Agora, os casos passam a ter uma porta especializada disponível em Monte Aprazível durante todo o dia.
A estrutura também poderá dar suporte a ocorrências das regiões de Catanduva, Fernandópolis, Jales, Novo Horizonte e Votuporanga. Isso não significa que as vítimas desses municípios precisarão viajar até Monte Aprazível. Por meio do sistema integrado da Polícia Civil, os casos podem ser distribuídos e acompanhados entre as unidades.
Para Cavalcanti, o modelo permite aproveitar melhor os recursos policiais disponíveis e evitar que uma unidade sobrecarregada concentre todos os atendimentos.
“Quando uma delegacia está sobrecarregada, o sistema permite que o delegado de plantão regule e distribua a ocorrência para outra unidade. Isso dá mais rapidez ao atendimento e permite que as outras forças de segurança possam retornar ao patrulhamento”, explicou.
Mais rapidez e possibilidade de prevenção
O funcionamento 24 horas também muda a dinâmica das ocorrências atendidas pela Polícia Militar. Depois das primeiras providências no local, a equipe passa a ter uma unidade especializada disponível permanentemente para dar continuidade ao caso.
Com o atendimento especializado funcionando durante todo o dia, a expectativa é reduzir o tempo de encaminhamento e permitir que os policiais militares retornem ao patrulhamento mais rapidamente. A medida também ajuda as delegacias comuns a concentrarem seus esforços em outros tipos de ocorrência.
Na avaliação de Cavalcanti, a presença permanente da Polícia Civil especializada também pode ter um efeito preventivo. Segundo ele, quando o agressor sabe que a vítima pode procurar a polícia imediatamente e que, nos casos previstos em lei, uma situação de flagrante pode resultar em prisão, aumenta a percepção de que haverá responsabilização.
O diretor cita a experiência de São José do Rio Preto, que passou a contar com atendimento 24 horas na DDM em março de 2025, como um exemplo positivo. Segundo Cavalcanti, a presença permanente da unidade fortaleceu o enfrentamento à violência contra a mulher e teve reflexos positivos também na prevenção dos feminicídios.
Atendimento mais humanizado e tecnologia
Além de funcionar durante todo o dia, a proposta é oferecer um atendimento especializado e mais acolhedor. A unidade conta com uma sala reservada para receber as vítimas e os filhos que estiverem com elas, preservando a privacidade e ajudando a evitar a revitimização.
Cavalcanti destaca que a tecnologia também permite tornar o atendimento mais rápido. Na unidade, vítimas, testemunhas e policiais podem prestar declarações por vídeo. O sistema faz a transcrição automática do depoimento, que posteriormente é conferida e corrigida pelo policial responsável.
O vídeo original fica armazenado no sistema da Polícia Civil e pode ser disponibilizado à Justiça por meio de um link, permitindo que o conteúdo seja consultado sem a necessidade de repetir todo o procedimento.
Para Cavalcanti, a especialização também contribui para que a mulher seja atendida por profissionais preparados para lidar com situações de violência doméstica, com mais privacidade e menor risco de reviver o trauma ao longo do processo. Polícia Civil e PM atuam juntas na rede de proteção
A atuação da DDM começa, na prática, depois de uma rede que envolve também a Polícia Militar. Segundo a tenente Isabela Zarda, o atendimento pode começar com uma ligação para o 190.
“Quando ela liga na nossa Central, o COPOM, já recebe um atendimento personalizado. A ocorrência é encaminhada para a Cabine Lilás, onde uma policial feminina treinada faz todo o atendimento e despacha a viatura para o local. Quando há necessidade, o apoio do Samu ou do Corpo de Bombeiros também é acionado”, explica.
Depois da chegada da equipe ao endereço, os policiais adotam as medidas cabíveis e, quando o caso é direcionado à Polícia Civil, a tenente destaca a importância da continuidade do atendimento especializado.
“É muito importante a continuidade desse cuidado. Agora, em Monte Aprazível, existe um espaço com policiais civis preparadas tanto para o atendimento à mulher quanto aos filhos”, afirma.
O acompanhamento pode continuar mesmo depois do registro da ocorrência. De acordo com Zarda, o 52º BPM/I conta com o Espaço Lilás, onde uma policial militar feminina entra em contato posteriormente com a vítima pelo telefone informado no boletim de ocorrência para orientar, esclarecer dúvidas e fazer encaminhamentos para serviços como CREAS, CRAS e outros órgãos da prefeitura.
“A Polícia Militar e a Polícia Civil, caminhando juntas no combate à violência doméstica, é um ganho para toda a população. Um atendimento especializado demonstra mais preparo e oferece mais segurança às mulheres”, destaca.
Modelo pode orientar novas unidades
A implantação do atendimento 24 horas em Monte Aprazível também servirá como experiência para futuras ampliações do atendimento especializado. Segundo Cavalcanti, a definição da estrutura levou em conta estudos técnicos realizados nos últimos meses, o volume de ocorrências, a distribuição geográfica e a capacidade das unidades policiais.
A ideia é integrar recursos humanos e materiais para tornar o atendimento mais rápido, melhorar as condições de trabalho dos policiais e ampliar a proteção às mulheres.
Para o diretor do Deinter-5, cada DDM que passa a funcionar 24 horas representa uma nova porta de entrada para mulheres que precisam de ajuda, independentemente do horário.
"A partir de agora, uma mulher que decidir pedir ajuda não vai precisar esperar amanhecer. Ela vai encontrar profissionais preparados para acolher, proteger e agir. Cada porta que a Polícia Civil abre é uma porta a mais contra a violência e a favor da vida. Essa é uma conquista para as mulheres de toda a região”, destacou Cavalcanti.
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