Teste do pezinho ampliado vai rastrear doenças em 6 mil bebês em RP
Projeto-piloto da Prefeitura prevê a identificação precoce de doenças genéticas, metabólicas e imunológicas em recém-nascidos atendidos pelo SUS, intenção é tornar a iniciativa permanente a partir de 2027
Por Camila Furlanetto – DHoje Interior · 4 min de leitura
Lançada nesta quinta-feira (22), pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, a iniciativa amplia a capacidade de identificação de doenças metabólicas, genéticas, imunológicas e neurodegenerativas. A proposta é reconhecer alterações ainda na fase pré-sintomática, quando as possibilidades de intervenção podem ser decisivas para o desenvolvimento e a qualidade de vida dos pacientes.
O projeto será destinado a recém-nascidos residentes e procedentes de Rio Preto que utilizam o SUS. As coletas serão realizadas na Santa Casa e no Hospital da Criança e Maternidade (HCM), unidades de referência no atendimento público hospitalar do município. A previsão é que, ao término da etapa-piloto, seis mil bebês tenham passado pelo rastreamento ampliado.
Durante o lançamento, no Paço Municipal, o prefeito Coronel Fábio Candido afirmou que pretende transformar a iniciativa em uma política pública permanente a partir de 2027, desde que não haja impedimentos técnicos que inviabilizem sua continuidade.
“É uma das principais entregas da Saúde de Rio Preto. Se essa medida salvar a vida de uma criança, já valeu a pena. Eu vou fazer um compromisso. Embora seja um projeto-piloto, salvo se a equipe técnica nos trouxer algum empecilho insuperável, nós vamos colocar essa política pública como permanente no município de Rio Preto a partir do ano que vem”, declarou.
O prefeito também destacou o papel da prevenção na assistência à infância. Para ele, a possibilidade de identificar uma doença antes do surgimento dos sintomas oferece às famílias melhores condições para buscar tratamento e reduzir os impactos de enfermidades que podem comprometer o desenvolvimento infantil.
“Quando a gente consegue descobrir uma doença antes mesmo dos primeiros sintomas, estamos dando a essa criança uma oportunidade muito maior de tratamento, qualidade de vida e desenvolvimento. É isso que queremos para Rio Preto, uma saúde cada vez mais preventiva, moderna e capaz de cuidar das pessoas desde os primeiros dias de vida”, afirmou.
A secretária municipal de Saúde, Lígia Cavassani, classificou a implantação como um avanço para a rede pública local e ressaltou a importância do apoio institucional para viabilizar a proposta. “É um projeto muito importante, que o município precisa e uma inovação muito grande. Eu fico muito feliz que em Rio Preto nós tenhamos o apoio do poder público para que possamos colocar em prática”, disse.
Rastreamento de doenças raras
O Teste do Pezinho Ampliado permitirá investigar um conjunto maior de doenças raras que podem comprometer o desenvolvimento infantil. Entre as condições rastreadas estão a galactosemia, aminoacidopatias, distúrbios do metabolismo de gorduras, doenças de depósito lisossômico, imunodeficiências primárias e a atrofia muscular espinhal (AME).
Essas enfermidades podem afetar diferentes órgãos, o sistema imunológico e as funções neurológicas e motoras. Em alguns casos, a ausência de diagnóstico pode levar a complicações graves, enquanto a identificação precoce possibilita iniciar tratamentos específicos, adotar cuidados preventivos e reduzir o risco de sequelas permanentes.
A triagem não confirma, por si só, a presença de uma doença. Resultados alterados exigem exames complementares e avaliação médica para estabelecer o diagnóstico e definir a conduta adequada.
Prevenção que começa no nascimento
Além de ampliar o rastreamento, o projeto-piloto permitirá levantar dados sobre a ocorrência dessas doenças entre os bebês examinados, contribuindo para o planejamento da assistência municipal. A iniciativa tem como referência a Lei Federal nº 14.154/2021, que prevê a ampliação progressiva das doenças investigadas pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal no SUS.
Mais do que identificar doenças, a proposta coloca em evidência o valor de agir antes que a doença limite os primeiros passos, os movimentos ou as descobertas de uma criança. Para as famílias, o diagnóstico precoce pode significar tempo para agir, acesso ao tratamento e a possibilidade de enfrentar um cenário difícil com mais recursos e perspectivas.
Porque, quando se trata da saúde de uma criança, descobrir a tempo pode representar muito mais do que antecipar um diagnóstico, pode preservar oportunidades, proteger o desenvolvimento e mudar uma história antes mesmo que ela comece a ser marcada pela doença.