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Universaliza não é privatização do Semae, diz supersecretária de Tarcísio
Programa UniversalizaSP que prevê investir R$ 1,2 bilhão na captação de água do Rio Grande para abastecer Rio Preto
Por Daniele JAMMAL - Dhoje Interior
05 de Maio de 2026 às 09:35
"Não vamos privatizar o Semae, posso te afirmar com 100% de certeza. O Estado nem poderia, porque é uma autarquia municipal". A declaração foi feita ao Dhoje, na tarde desta segunda-feira, 3, por Natália Resende Andrade, que comanda desde o início da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a supersecretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
A afirmação diz respeito ao Programa UniversalizaSP que prevê investir R$ 1,2 bilhão na captação de água do Rio Grande para abastecer Rio Preto. Com a construção do sistema, a expectativa é de produção de água inicial de 750 litros por segundo, em 2030, e capacidade máxima de 3 mil litros por segundo em 2050.
"O Estado quer olhar o que cada município, cada região, cada bacia, precisa para dar apoio técnico e financeiro em projetos que fazem diferença. O nosso trabalho é assegurar mais resiliência, garantindo maior segurança hídrica", acrescentou.
Segundo Natália, a ideia é fortalecer o Semae por meio de investimentos e aumentar o volume de água disponível para o abastecimento da população rio-pretense.
"Estamos estudando junto aos municípios e autarquias contratos mais robustos, com amortizações e regulações fortes. Nossa meta é garantir que, mesmo em cenário de mudanças climáticas, haja segurança hídrica", destacou.
Conforme a secretária, a construção é coletiva e feita com muito diálogo.
"Compensa muito mais colocar recursos em projetos estruturantes do que em obras pontuais", ressaltou.
Ela acrescentou que o projeto para captação no Rio Grande iniciou com análise de estudos antigos e foi aprimorado, contando com suporte do Banco Mundial.
"Temos 3.074 bacias hidrográficas no Estado e todas foram avaliadas, tanto no extremo seca, como no extremo chuva. No caso de Rio Preto, identificamos uma grande dependência de água subterrânea (poços artesianos) e que os aquíferos estão depreciando. Com a obra no Rio Grande, vamos entregar água nova, melhorando a disponibilidade hídrica para o Semae tratar, reservar e distribuir", frisou.
Natália salientou que a adesão ao Universaliza SP não é obrigatória. "O Governo de São Paulo tem outras formas de financiamento, como o Desenvolve, mas separamos recursos para dar apoio, tanto técnico como financeiro, pelo Universaliza para que os investimentos sejam mais eficientes, colocando esses recursos em contratos de longo prazo, com regulação e controle social. Está tudo escrito e isso é muito importante, porque estamos trazendo o que tem de melhor no mundo para avançar na agenda de resiliência climática", avaliou.
OBRAS ESTRUTURANTES
Os recursos priorizam, segundo a secretária, processos estruturantes para melhorar a qualidade de vida das pessoas, evitar desperdício de água, tratar esgoto, proporcionar melhorias operacionais e para o meio ambiente.
"No saneamento básico, se a gente não virar a chave, vai virar uma lógica que tem várias obras pontuais, mas não avança. Desde 2023, São Paulo colocou o dedo na ferida para deixar legado. Saneamento não dá para enxugar gelo", enfatizou.
Até o momento, de acordo com Natália, 146 municípios aderiram ao UniversalizaSP. Para Rio Preto e região, até 2060, a estimativa de investimentos é de R$ 1,6 bilhão.
DIÁLOGOS COM MUNICÍPIOS
Indagada sobre o compartilhamento de informações com o Semae, a secretária afirmou "tudo é muito dialogado. O Semae participa dos estudos e tem caminhado junto. Falta compartilhamos com a autarquia os estudos de modelagem financeira. O processo decisório fica com o Semae".
Na opinião de Natália, o processo é muito técnico e é "ruim quando vai para o campo ideológico. Trabalhamos para combater notícias falsas".
"Saneamento é dignidade para as pessoas. O UniversalizaSP é a forma mais eficiente do município ter a obra. O recurso vai ser por conta do Estado, sem juros, com garantias e parcerias. Por meio do Orçamento do Estado, há mais eficiência e tem apoio de organismos multilaterais, o Banco Mundial é um deles", defendeu.
A secretária disse ainda que "o Município de Rio Preto tentou fazer financiamentos, mas com o aporte estatal, vai poder utilizar o recurso que seria pago (para banco) em outras áreas prioritárias".
Com o cenário de mudanças climáticas, enchentes e abastecimento entraram nas pautas prioritárias do Estado, de acordo com Natália.
"Em torno de 70% das cidades paulistas têm menos de 30 mil habitantes e as prefeituras, muitas vezes, não têm capacidade, principalmente em saneamento. Investimentos são enterrados e muitas vezes não aparecem", finalizou.
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