Violência nas escolas exige ação conjunta, diz secretário estadual
Em visita a Rio Preto, secretário executivo da Educação, foi questionado sobre casos recentes com armas brancas e defendeu ação conjunta entre escolas, famílias e comunidade
Por Camila Furlanetto – DHoje Interior
17 de Agosto de 2026 às 08:43
A sequência de episódios de violência envolvendo adolescentes em escolas estaduais de Rio Preto colocou novamente em evidência um desafio que ultrapassa os portões das unidades de ensino: como identificar e prevenir situações de conflito antes que elas se transformem em agressões.
Em visita ao município nesta quinta-feira, 13, o secretário executivo da Educação do Estado de São Paulo, Vinícius Neiva, afirmou que o enfrentamento à violência depende de uma ação conjunta entre escolas, famílias e comunidade.
A declaração ocorre após registros recentes de ocorrências envolvendo adolescentes e armas brancas dentro de escolas estaduais de Rio Preto. Em um dos casos, uma estudante foi encontrada com uma faca e, em outro episódio, uma adolescente foi vítima de ataque. Ao comentar as situações, Neiva afirmou que a Secretaria de Educação “repudia qualquer ato de violência” contra estudantes e professores e desejou recuperação a aluna ferida.
Segundo o secretário executivo, a rede estadual mantém uma estrutura voltada à prevenção e ao atendimento de conflitos. Entre as medidas citadas estão professores orientadores de convivência, psicólogos, protocolos de segurança, rondas da Polícia Militar, câmeras de monitoramento, botões de pânico e aplicativo de segurança.
“São mais de 1.100 psicólogos dentro de toda a rede para poder atender. A gente tem um protocolo de segurança, tem um apoio da Polícia Militar dentro da ronda das escolas”, afirmou.
Para Neiva, porém, as ferramentas disponíveis nas escolas não são suficientes para impedir que situações de violência cheguem às unidades. Ele atribuiu papel central às famílias na identificação de comportamentos e na formação dos adolescentes.
“A educação é um esforço conjunto da escola e das famílias. A gente precisa claramente que os pais conversem, que os seus filhos expliquem, que estejam perto, que estejam conversando, que estejam educando os filhos”, disse.
'Não é nenhuma culpa da escola'
Questionado especificamente sobre o caso da adolescente que levou uma faca para a escola e sobre o que poderia ter sido feito para impedir a situação, Neiva evitou atribuir responsabilidade à unidade de ensino.
“Eu diria que não é nenhuma culpa da escola”, afirmou.
De acordo com ele, a rede já desenvolve ações pedagógicas voltadas à convivência e ao respeito, mas a prevenção precisa começar antes de o estudante chegar à escola.
“Ela não deveria nem ter saído de casa com essa arma branca. Então, acho que tem uma questão de convivência, e a escola vem trabalhando”, declarou.
O secretário defendeu que pais e comunidade escolar estejam mais próximos dos adolescentes para identificar sinais de conflitos e reforçar valores de respeito.
“A gente precisa também dessa participação de comunidade escolar, dessa participação de pais, para que a gente traga essa necessidade de respeitar o próximo, de respeitar o espaço do próximo e não querer agredir nem criar qualquer tipo de violência”, afirmou.
Convivência e saúde emocional
Entre as iniciativas citadas pelo secretário está o chamado “Dia C da Convivência”, ação que reúne famílias e estudantes para discutir relações interpessoais e formas de convivência. Ele também mencionou a inclusão de conteúdos relacionados à inteligência emocional na rede estadual.
Na avaliação do secretário, os impactos deixados pela pandemia contribuíram para ampliar dificuldades de relacionamento entre os estudantes e exigiram novas estratégias da escola.
“A gente viu que a pandemia gerou um pouco dessa dificuldade de relacionamento. Então, a gente vem construindo isso junto”, afirmou.
Neiva ressaltou que a escola tem papel pedagógico e de mediação, mas não consegue atuar isoladamente diante de conflitos que muitas vezes têm origem fora do ambiente escolar.
“A escola sozinha precisa de ajuda. Precisa de ajuda da comunidade, precisa de ajuda principalmente das famílias”, declarou.
ECA e proteção dos adolescentes
Durante a entrevista, o secretário também foi questionado sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especialmente diante de situações envolvendo violência praticada por menores de idade. Neiva classificou o estatuto como uma iniciativa importante e destacou a necessidade de medidas que garantam a proteção integral dos jovens.
“A questão do Estatuto da Criança e do Adolescente eu acho que é uma iniciativa superimportante”, afirmou.
Ele também citou as discussões relacionadas ao chamado “ECA Digital” e medidas recentes envolvendo plataformas digitais. Para Neiva, ações de proteção devem considerar não apenas a integridade física, mas também os aspectos intelectual e psicológico de crianças e adolescentes.
“Em toda e qualquer medida que vise a proteger a integridade física, que vise proteger a integridade intelectual, a parte psíquica também dos nossos jovens, a gente é superfavorável”, disse.
O secretário afirmou que o objetivo da política educacional deve ser formar cidadãos preparados para a convivência em sociedade, conciliando proteção, acompanhamento e amadurecimento dos estudantes.
“O que a gente está querendo é construir bons cidadãos para a comunidade, e isso parte por um processo de amadurecimento, processo de proteção desses nossos estudantes, nossos jovens, das nossas crianças”, concluiu.
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