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Gerentes de banco são condenados por participação em fraude de R$ 1,37 mi
Uma médica de Rio Preto foi vítima de um golpe que movimentou R$ 1,37 milhão e revelou uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias.
Por Danielle MOLNAR - DHoje Interior
27 de Agosto de 2026 às 09:07
Uma médica de Rio Preto foi vítima de um golpe que movimentou R$ 1,37 milhão e revelou uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias. Durante a investigação, dois gerentes de banco foram identificados como integrantes do esquema e apontados como responsáveis por facilitar a movimentação dos valores. O caso terminou com a condenação de quatro envolvidos pela Justiça de Rio Preto nesta semana.
A sentença foi proferida nesta terça-feira, 25, pela 4ª Vara Criminal de Rio Preto. L.F.V.S., C.C.M., E.S.Q. e I.C.C. foram condenados, cada um, a 8 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de 22 dias-multa. Eles responderam pelos crimes de estelionato eletrônico e organização criminosa.
A investigação foi conduzida pela 3ª equipe da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG), da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Rio Preto.
Criminosos se passaram por funcionários de banco
A fraude aconteceu em 28 de agosto de 2024. A médica recebeu uma ligação de criminosos que se apresentaram como funcionários de uma instituição bancária. Eles disseram que havia uma suposta investigação da Polícia Federal sobre um “hackeamento” de contas e afirmaram que, para proteger o dinheiro, ela deveria fazer uma transferência bancária.
Os golpistas tinham informações verdadeiras sobre a vítima e sua movimentação financeira, o que ajudou a dar credibilidade à história. Convencida de que estava protegendo o próprio patrimônio, a médica transferiu R$ 1,37 milhão para contas controladas pelo grupo.
Depois de receber o dinheiro, a organização passou a distribuir os valores entre diferentes contas, numa tentativa de dificultar o rastreamento e a recuperação dos recursos.
A preocupação dos criminosos em manter a vítima em contato chegou a um detalhe incomum. Quando a médica avisou que a bateria do celular estava acabando, um dos integrantes providenciou um carregador e mandou o equipamento para o hospital onde ela trabalhava. A compra foi identificada pela investigação e ajudou a ligar o suspeito à execução do golpe.
Gerentes ajudavam na movimentação
Um dos principais avanços da investigação foi a descoberta de que dois gerentes bancários faziam parte da estrutura criminosa.
De acordo com as provas analisadas pela Justiça, L.F.V.S. e C.C.M. mantinham contato com outros integrantes do grupo e usavam suas funções para facilitar as transações e a rápida movimentação dos valores obtidos nas fraudes.
Pela participação no esquema, os dois receberam R$ 100 mil. O dinheiro foi enviado para uma conta indicada por um dos gerentes.
A investigação também encontrou conversas e registros que mostraram que a relação entre os gerentes e outros integrantes da organização já existia antes do golpe contra a médica. Para a Justiça, isso reforçou que a participação não foi eventual.
As provas apontaram ainda para uma divisão de tarefas. Enquanto alguns integrantes cuidavam da obtenção e utilização de empresas e contas bancárias, outros faziam a articulação dos golpes, selecionavam vítimas ou intermediavam o contato com os responsáveis pela execução das fraudes.
Celulares ajudaram a montar o quebra-cabeça
Para chegar à estrutura do grupo, os investigadores analisaram dados bancários, documentos, registros de transações, celulares e conversas mantidas pelos suspeitos.
A perícia nos aparelhos foi fundamental para identificar outros envolvidos e entender a ligação entre os diferentes núcleos da organização. Relatórios policiais e provas periciais também foram considerados pela Justiça na comprovação dos crimes.
A investigação revelou que o grupo já havia conseguido mais de 50 CNPJs utilizados na prática criminosa. A quantidade ajuda a dimensionar a estrutura e mostra que o esquema não dependia de uma única empresa ou conta bancária.
Na prática, cada integrante tinha uma função. Havia pessoas responsáveis pelas empresas e contas usadas para movimentar os valores, outras encarregadas da articulação dos golpes e ainda aquelas que facilitavam as operações financeiras.
Investigação aponta para outros golpes
O caso envolvendo a médica foi apenas uma parte do que os policiais encontraram durante a investigação. A análise do material apreendido e das conversas entre os envolvidos apontou indícios de outras possíveis fraudes, além da utilização de empresas de fachada, negociação de CNPJs e mecanismos para movimentar e ocultar dinheiro.
A sentença reconheceu que os quatro condenados faziam parte de uma organização criminosa estruturada, estável e com divisão de tarefas.
Além das penas de 8 anos e 2 meses de prisão para cada condenado, a Justiça fixou R$ 1,27 milhão como valor mínimo para reparação dos danos em favor da instituição financeira lesada.
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